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Entrevista com a APDIF

:: Entrevista com a APDIF

A Central MP3 conversou com Paulo Henrique Batimarchi, da APDIF, órgão que fiscaliza a pirataria no Brasil sobre mp3, internet e música digital. Confira ! Comente esta entrevista em nosso fórum.

Fale-nos sobre a APDIF, seus objetivos, quem a financia, como ela funciona, qual sua estrutura e forma de trabalho. Quantos artistas e Gravadoras a APDIF representa hoje?

A APDIF DO BRASIL - Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográfico é uma entidade sem fins lucrativos que congrega as empresas UNIVERSAL MUSIC do Brasil Ltda.; WARNER MUSIC Brasil Ltda.; BMG Brasil Ltda.; SIGLA - Sistema Globo de Gravações Audio Visuais Ltda.; EMI Music Ltda. e SONY MUSIC Entertainment Indústria e Comércio Ltda., tendo como objetivo o combate à reprodução não autorizada de gravações musicais, associadas ou não à veiculação de imagem, preservando os direitos dos autores, compositores, intérpretes, artistas e produtores fonográficos. Atuando ainda juntamente com outras associações do mercado fonográfico, como ABPD - associação brasileira dos produtores de discos - e diretamente ligada com a IFPI - Latin America, International Federation Phonografic Industrie, à qual tem sede em Miami e a APDIF , assim outras associações similares de outros países da América Latina, respondem diretamente.

Sabemos que o MP3 não é ilegal. Ilegal é o uso que determinados usuários fazem dele, mas ele não é o único : Windows Media (desenvolvido pela Microsoft), Real Audio, .mpeg e outros também podem incentivar a pirataria. Por que a "marcação" somente ao mp3 ? Se o MP3 hoje é o vilão da história, não seria conveniente evitar que estes outros formatos cheguem ao patamar que o MP3 chegou?

Essa marcação sobre o Mp3 é em virtude de sua grande popularidade, facilidade de reprodução e execução, mas principalmente pelo grande número de sites - cerca de 13 mil somente de Webmasters brasileiros, quem popularizou este formato foram os próprios internautas de todo o mundo e, hoje, Mp3 é a sigla mais digitada da Web. Hoje realizamos um trabalho com todos os formatos de música digital, WMA, AAC, VQF e Real Audio, mas temos como alvo principal o Mp3 em virtude de sua popularidade, sendo que encontramos sites que possuem diversos formatos utilizados de forma ilegal, que são retirados do ar o mais rápido possível.

Comenta-se muito em fóruns e listas de discussão que o preço de um CD é exorbitante e que o artista leva muito pouco sobre o preço de venda nas lojas. Qual a real distribuição dos lucros de um CD ? Quanto leva o artista, a gravadora e quais são os custos de divulgação e etc ?

Como se pode observar o maior custa esta no pagamento dos impostos - 30% do custo total - seguido pelo custo de produção - 28% - e com um margem de lucro de 15% . É do conhecimento de todos que o preço de alguns CDs esta em desacordo com a realidade financeira de parte da população mas isso não pode justificar os crimes cometidos como a pirataria, sonegação de impostos e, acima de tudo, alimentar um esquema corrupto e extremamente lucrativo das Máfias.

Dentro os custos de divulgação, o velho e conhecido "Jabá" deve ter uma boa porcentagem. Ela é considerada ética? Não seria o caso de combate-la com a mesma veemência?

Esse caso causa grande polêmica no meio artístico , e é de extrema relevância, no entanto o papel da APDIF junto às gravadoras é unicamente o de combate à pirataria de músicas e não a administração da gestão coletiva de músicas através de diversos meios de comunicação.

O irreverente Lobão disse em uma entrevista recente a uma FM de Curitiba que já vendeu mais de 80.000 cópias de seu CD, e ele é um dos artistas que incentiva o download de suas músicas em mp3 e diz que há uma "pirataria oficial" por parte das gravadoras. Na sua opinião, o que o levou a fazer tais afirmações?

Tendo em vista o download de fonogramas acredito que este meio de divulgação e venda seja o futuro do mercado musical, é um ramo que apresenta-se em franco desenvolvimento e , justamente por isso, a APDIF tenta proporcionar seu desenvolvimento assegurando os direitos do artistas e produtores. Creio que o Lobão tenha seus motivos para fazer tal afirmação em público, no entanto não tenho conhecimento de tal afirmação e, muito menos , qualquer provas de algum fato este tipo.

A porcentagem de CD's falsos no Brasil é muito grande e com certeza, deve apresentar muito mais prejuízo a artistas e gravadoras que o mp3. Segundo números oficias da RIAA, o lucro das gravadoras norte-americanas cresceu 12% ano passado, e lá 50% da população tem acesso a internet. Será que o mp3 não deveria ser utilizado como aliado ao invés de inimigo ? Em uma pesquisa em nosso site, 43% dos usuários responderam que já compraram um CD após ter ouvido a música em mp3.

Mas esse é justamente o nosso objetivo.... fazer com que os usuários da rede se acostumem a ouvir somente músicas autorizadas pelos detentores dos direitos, seja sob forma de rádios virtuais, trechos de 30 segundos ou até mesmo a disponibilização de algumas músicas pelos próprios artistas. No entanto não podemos deixar que esse mercado em potencial seja totalmente tomado por sites com até dez mil músicas ilegais, a venda de Cds de Mp3 com 200 fonogramas; essas práticas tornam a adoção de um padrão de mercado cada vez mais difícil e fazem com as músicas existentes na Web sejam consideradas de uso público. É importante que com o avanço da internet para o nosso cotidiano nós não banalizemos este fato. Os crimes que ocorrem nesse novo meio não podem ser banalizados pelos demais usuários como se fossem brincadeiras, não devemos confundir a liberdade proporcionada pela Internet com a libertinagem causada pelas facilidades que a mesma trouxe para cada um cometer crimes à distâncias. É um fato que hoje a venda de CDs corresponde à grande maioria das músicas vendidas em todo mercado, no entanto é inegável que o computador com toda sua versatilidade, está cada vez mais presente em nosso cotidiano e , logo, música e outros serviços serão acessados somente através deste eletrodomésticos, verificamos cerca de três milhões de downloads por dia, de músicas ilegais por todo o mundo, essa quantidade de músicas não pode ser ignorada, deve , sim, ser substituída por músicas autorizadas.

Sabe-se que a tendência é um aumento cada vez maior da troca e venda de músicas digitalizadas via internet. Quem sabe apareça um formato seguro, mas será muito difícil para as gravadoras vencer essa "guerra", e ainda correm o risco de perderem a simpatia dos seus clientes. Quais os planos da APDIF para o futuro ?

A APDIF hoje realiza um trabalho contínuo de combate à sites ilegais, tendo retirado um total de 740 sites neste ano , com o intuito de possibilitar que outros sites, que tenham o interesse em legalizar sua situação sejam reformulados ,chamamos isto de programa de apoio aos sites, onde , ao contatar o site que disponibiliza músicas ilegais, é proposto que após a retirada destas músicas da Web , o site reformule seu conteúdo para disponibilizar músicas autorizadas pelos detentores dos direitos autorais. São diversas as formas de atuação no combate à pirataria, e é realmente grande nossa preocupação com relação à disseminação da pirataria. Acredito que no futuro seja mais fácil combater essa forma de pirataria, tendo em vista um melhor entendimento por parte das autoridades, legislação mais abrangente e com a existência de formatos legalizados. Hoje trabalhamos para que os Web sites pessoais parem com essa prática e com a conscientização do Internauta.

Finalmente, por que existem tantos músicos bons desconhecidos e tantas músicas ruins tocando insistentemente nas rádios ? O motivo é o que imaginamos ? Porque vende mais e não é interessante criar uma massa crítica em meio ao povo ?

Esse é o grande benefício que a Internet trás aos músicos e ao público, ela possibilita que aqueles que não estejam no rol dos artistas que aparecem na Mídia convencional possam ter a possibilidade de expor seu trabalho, serem ouvidos, até mesmo fazer suas críticas. A Internet está cada vez mais adaptada com relação este tipo de busca, como por exemplo sites especializados em artistas independentes, com buscas e comentários.

por Fabio Bruza
em 06/06/2000




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