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Coluna do Ouvidor

 

:: Mp3 na sala, no bolso e em todo lugar
Esse último mês foram lançados pelo menos três aparelhos de dvd compatíveis com mp3. Finalmente é a maioridade do mp3. Saiu dos quartos e escritórios e foi para a sala. Simples, fácil e prático. Antes desses lançamentos para se escutar um mp3 - falando assim parece algo muito legal mas é apenas música! - era necessário um computador ou um player, aparelhos específicos e no primeiro caso nada amigável. A indústria fonográfica está nos devendo o tal do super cd, que seria um dvd só de audio, mas enquanto ela fica devendo os piratas entregam e o mp3 que seria um formato de armazenamento temporário e de divulgação vai ganhar espaço e quem vai rodar nessa história são os artistas que terão não um cd pirateado e sim uns dez de cada vez. Apesar do panorama não ser dos melhores também acho que quem tem um micro, um gravador de cd e um dvd não vai se dar ao trabalho de correr atrás de algum pirata para comprar um cd, mas a brecha está ai. Assuntos comerciais a parte esse aparelhos são ótimos, são onze horas de música, quase dez cds em um! Imagine uma festa onde não tem que trocar o disco, ou gravar todos os títulos de um músico ou o melhor de tudo: não ter que esperar o Windows iniciar!!! As novidades não param por aí: a Texas lançou um chip que permite gravar som em mp3 diretamente da saída que qualquer aparelho e com autonomia de 70 horas, isso é demais de bom pois é a independência dos mp3 players do micro. A comodidade dos players - leves, pequenos e sem partes mecânicas - agora é levada para a tribo dos sem micro. Finalmente estou vendo a informática se descomplicar e se tornar prática e ao alcance de todos, ou melhor, todos que tem cacife.

Juarez Gonçalves Pedra Jr.
Em 20 / 11 / 2.000

Links:
CCE
Philco
Casio
Texas Instruments

 

:: Reflexão, sem religião

Quem vai a ganhar a guerra gerada pelo mp3? As gravadoras ou o consumidor? De um lado, representando a vontade do consumidor o Napster, jovem, cheio de vida mas com pouca experiência em combate, apesar de bons treinadores - advogados - as decisões tomadas no ringue sempre são do lutador. E do outro lado literalmente representando as gravadores a RIAA, pesada mas rápida, reflexos é o que não lhe falta, longa ficha de vitórias, mas pelo menos uma derrota ante a vontade do consumidor: em sua luta contra o Rio mp3 Player perdeu em poucos rounds, e essa raiva está em campo agora contra o Napster.

A RIAA está em uma posição complicada, ficar contra o Napster desagrada o consumidor, mas em compensação o Napster tem desagradado alguns músicos e isso também pega mal. Mas o que está em jogo não é o presente das gravadoras e sim o futuro. É sabido que o mp3 ou wma ou seja lá o que for não ameaça as vendas, ao contrário, serve como divulgação rápida e barata. Um músico que divulga seu trabalho em mp3 ganha a simpatia do consumidor e possivelmente seu dinheiro.

As gravadoras estão vendo a tempestade se formar e estão precisando de tempo para se preparar, em alguns anos quando a banda larga for o padrão e os gravadores de cd mais baratos, quem em sã consciência vai comprar um disco se pode gravá-lo em casa com custo reduzidíssimo?

A forma atual de se comercializar cultura, seja ela musical, literária ou visual está definitivamente condenada, não me atrevo a dizer como será mas garanto que não será nos moldes atuais, aposto minha masculinidade!

Não é preciso ser adivinho para saber que o próximo alvo são os filmes!! Outro dia em São Paulo vi filmes ainda em cartaz sendo vendidos em cd, preste atenção não era dvd era cd, aquele de 650 Mb!!! Existem um tal de mp4 que compacta 100 minutos de filme em um cd, não é uma beleza? Para nós sim mas para os estúdios nem um pouco.

 

Juarez Gonçalves Pedra Jr.
Em 20 / 11 / 2.000

 

:: MP3 para quem?

Som digital é muito legal, muito bacana mas convenhamos que não é para qualquer um. Compactar um CD é uma tarefa fácil desde que se tenha adquirido alguns conhecimentos básicos de computação que a maioria não tem.
Arquivo, diretório, programa, linguagem de programação são entes muito distantes das pessoas, e mesmo assim a informática é vendida como algo trivial, algo que qualquer criança pode lidar e fazer maravilhas, o que não é verdade.
A sociedade de consumo é baseada nisso: criação de necessidades desnecessárias. O que uma família onde nenhum dos integrantes tem o menor conhecimento de qualquer coisa em informatica vai fazer com um computador? Eu mesmo quando comprei meu primeiro micro ficava horas jogando porque isso era a única coisa que eu sabia fazer com ele. Hoje - além de jogar - uso para ler, estudar, controle - precário - de orçamento, pagamento de contas, compras e sei que isso é pouco considerando a capacidade da máquina.
E por que eu digo isso tudo? Digo porque vejo muitas pessoas que querem comprar um computador sem saber o que estão levando para casa, sem saber que a ignorância é amiga da frustração e que talvez queimem nessa brincadeira suados R$ 1.500,00.
O que fazer? Informar-se. Saber se um micro, mesmo se for adquirido com nenhuma finalidade prática, vai realmente ser (in)útil. Fazer um curso qualquer talvez seja o primeiro passo, eu tive a sorte de trabalhar com computadores e ter acesso a Internet, mas não é todo mundo que pode fazer isso. Muitas vezes as maravilhas da informática transformam-se em maravilhosas dores de cabeça.
E onde entra mp3 nessa história? Oras, mp3 é um produto do mundo da informática e carrega todos os problemas de seu mundo. Sei de gente que queria comprar um mp3 player sem ter um computador para carregá-lo de música! Entenderam meu ponto?

Juarez Gonçalves Pedra Jr.
Em 20 / 11 / 2.000

Links:
Iniciantes, em mp3
Iniciantes, em informática: Centro de Computação da Unicamp

 

 


 

 

 

 




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