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Digitalização num tom filosófico
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por Enio Marcos, com a colaboração de Fábio Shoiti Ikeda e Ricardo Bartholomeu
Imagina uma música, infinita no seu mínimo, ou melhor, poderíamos dividir as ondas sonoras de um momento musical até o infinito, são analógicas, íntegras, são como, na concepção mais comum, o espaço e o tempo.
Quando digitalizado um determinado momento do som de uma obra qualquer, este é dividido em uma amostragem. Estudos revelaram que a freqüência de 44100 fragmentos para cada momento de um segundo é suficiente para compor uma sensação auditiva de total continuidade da onda. Som de CD contém 44100 retratos de música por segundo (44.1 kHz), que, por serem "mostrados" velozmente, induzem um efeito de continuidade, como no cinema, onde os 24 quadros projetados por segundo fazem termos a ilusão da continuidade do movimento (são 30 quadros na televisão <by Ricardo Bartholomeu>).
Pois se um segundo pode ser dividido indefinidamente, 44100 retratos, prontos e estáticos deste momento representam bem o universo infinito deste momento? Claro... falta pragmatismo nesta abordagem, mas existe uma frente de audiófilos que reclama uma amostragem de 200.000 quadros por segundo... um pessoal do erudito que diz sentir um "gosto" metálico nas obras sonoras, gosto decorrente dos espaços vazios entre os quadros presentes nas digitalizações atuais... Agora... se por um lado a digitalização destruiu a afinidade entre o som e o tempo-espaço, desgrudando-o destes, por outro garantiu que as amostras retratadas fossem o mais coerentes e fieis possíveis ao som original, até pq estáticas e, por isso, muito mais facilmente definíveis. Ganhamos em definição, pois que as amostras são muito mais fiéis do que o possível com tecnologias analógicas de custo semelhante, e perdemos em integridade, algo a ser degustado por cada ouvido.
Diversos métodos podem ser usados para diminuir a distância entre os quadros de som, desde efeitos que alteram a sonoridade como um eco ou um delay até reprodutores que fazem a conversão dos quadros digitais em som analógico interpolando possibilidades entre eles, fazem de dois quadros vários, através de algorítmos e calculos que preenchem matematicamente, ou por repetição pura, estes espaços vazios. <by Fábio Shoiti Ikeda>
Agora... vamos escandalizar mais? Falemos do MP3!
Alguns estudiosos da psico-acústica, de como percebemos o som e o quanto percebemos deste som, descobriram e estudaram os mecanismos mentais de reconstrução sonora, além disso exploraram e estudaram melhor os limites desta percepção dos sons, pois bem, daí estudaram o quanto poderia ser retirado de cada amostra de som e como elas poderiam ser unidas e combinadas sem que percebêssemos a sensação sonora "original", a este método chamaram de compactação psico-acústica, o MP3 são os 44100 quadros por segundo sem os "excessos" e
reorganizados, sem as informações que não seriam percebidas de qq modo e sem as informações acústicas que nosso cérebro reconstrói "naturalmente".Entendeu? É um método que compacta a partir desta digitalização dos 44100 pedaços em função do espaço(em número de bits) que esta informação(música) poderá dispor para se fazer entender(fidelidade), pode-se compactar na razão de 50 amostras para 1 mas resultados realmente próximos do original(e o quanto depende de quem escuta) são obtidos, com a tecnologia atual, a partir da razão de 11 amostras para 1, percebe que não significa ficarmos com 44100
dividido por 11 amostras, ou 4010 amostras quais quer de todo o conjunto por segundo, existe uma escolha do material a ser mantido/combinado em cada amostra, uma escolha psico-acústica que mantém um psico-integridade daquele momento sonoro/musical.Louco né?! Qq dúvida, pergunta. Qq comentário, indignação, elogios, me conta (enio-lar@datacempro.com.br). Eu acredito ser a digitalização do som a mais pobre possível, além, é claro, da digitalização dos relacionamentos, mas isso já papo para "depois do som..."
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